segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Crônicas sobre o Separatismo (Parte 9): Não dá para aguentar, temos que mudar!

Eduardo José Monteiro da Costa

A campanha televisiva alusiva ao plebiscito do dia 11 de dezembro chegou em sua metade. Chama atenção o discurso favorável a divisão do estado do Pará que vem insistentemente destacando os nossos péssimos indicadores sociais. Neste sentido me chama a atenção dois pontos, lamentavelmente não enxergam o cerne do problema e destacam que se não ocorrer à divisão nada irá mudar em nossa sociedade.
Como jê destacado em crônicas anteriores o problema do Pará não é o seu tamanho. De nada irá adiantar dividir o Pará se não mudarmos o que é estrutural e ficarmos olhando apenas o que é a manifestação aparente do fenômeno. O principal problema do estado do Pará não é o seu tamanho. É o seu modelo de desenvolvimento, que gera uma sociedade altamente desigual, baixa verticalização da produção, pouca internalização da riqueza e da renda e exclusão social. Não adianta sermos um ou três estados se este modelo e o pacto federativo que é lesivo ao estado do Pará se perpetuarem. Caso haja divisão multiplicaremos apenas pobreza e miséria e continuaremos sendo um verdadeiro “almoxarifado” do desenvolvimento alheio, deixando neste rincão apenas o ônus deste modelo predatório.
Ao lado deste quadro chama atenção a afirmação de que nada irá mudar se não houver a divisão do estado. Curiosamente a frente da campanha de divisão estão alguns políticos já com uma atuação de longa data na política estadual. Neste contexto, eles estão se colocando como “alienígenas” do processo, como se não tivessem participação em nada do que se apresenta neste quadro que fazem questão de execrar. Ademais, ao afirmarem que nada irá mudar se não houver a divisão estão assumindo publicamente que os mesmos não têm condições, competência ou interesse em mudar o quadro existente. Seja qual das três alternativas for, passam uma clara mensagem a população paraense: precisamos de renovação em nosso quadro político!
               Que após o Plebiscito a sociedade paraense não deixe estes acontecimentos caírem no esquecimento. Estimulada por este debate espero que a nossa sociedade possa pensar muito bem nisto e nas próximas eleições eleger políticos verdadeiramente comprometidos com a mudança deste quadro. Precisamos enfrentar uma agenda que é fundamental, mas isto requer preparo, coragem e compromisso com o povo. Precisamos de projetos alternativos concretos capazes de mudar a nossa trajetória. Chega de passividade, chega de comodismo, chega de manipulação! Como eles mesmos dizem, não dá para agüentar, temos realmente que mudar, mas muitos de nossos políticos.

Um comentário:

  1. Por todos os motivos que você citou, e, conhecendo nossa sociedade extremamente distorcida de valores, tenho mais ainda a convicção de que só a separação resolverá os problemas de Carajás e Tapajós em uns 30 anos...
    A continuar do jeito que está, nem em 300 anos o Pará resolverá os problemas do interior.
    O "separatismo" como falado por você é um sentimento genuíno de quem mora no interior desse Estado e tem muita vontade de crescer e fazer prosperar as coisas. Oportunidade, isso que queremos, e não a imobilidade do Pará atual.
    Estamos na luta por uma vida melhor de todos (inclusive dos que moram no novo Pará).
    Bom o seu texto. Parabéns.

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