segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Paragominas debate a Divisão do Estado e recebe a Frente em Defesa do Pará contra a Criação de Carajás

Paragominas, localizada na região nordeste do Estado, também entrou na luta em defesa da integridade do território paraense. Na noite do último sábado (5), professores, lideranças políticas, empresariais e comunitárias estiveram o Parque de Exposições do Município para participar do lançamento da campanha do NÃO na cidade. O evento contou com a presença do presidente da Frente em Defesa do Pará contra a Criação de Carajás, Zenaldo Coutinho; do prefeito de Paragominas, Adnan Demachki; do vice-prefeito, Paulo Tocantins; do deputado estadual licenciado Sidney Rosa, que hoje comanda a Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção; e de Mauro Lúcio Costa, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais da Cidade. Carlos Maneschy, reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), que estava no município para debater sobre a viabilidade de construção de um campus da Universidade no local, também acompanhou o evento.
Em seu pronunciamento, Zenaldo destacou os prejuízos que uma possível divisão do território paraense poderá trazer aos habitantes do Estado. Desconstruindo um dos principais argumentos separatistas, ele lembrou que quando a Constituição criou o Estado do Tocantins, todas as dívidas de Goiás foram perdoadas pela União, que ainda mandou recursos adicionais ao novo Estado. Porém, a mesma Constituição deixa claro que o País não vai mais assumir dívidas com a criação de novas unidades na Federação. “Por isso, Tocantins é uma coisa e plebiscito sobre divisão é outra”, enfatizou.
Para Zenaldo, o aumento no número de deputados federais e senadores do Norte no Congresso também não significa que haverá mais recursos para a Região. “No momento em que se dividir, algum parlamentar de um estado vai querer ajudar o outro? Alguém já viu José Sarney trazer projetos para o Pará? Alguém já viu algum senador ou deputado do Tocantins ou de outro Estado garantir recursos para obras no Pará? Pelo contrário, há uma disputa fiscal entre os estados”, disse. “Nós já temos uma Assembléia Legislativa com 41 deputados. Imaginem mais duas assembléias. Quem vai pagar essa conta? O povo. Serão cobrados mais impostos. Não tem mágica. Não vai cair dinheiro do céu”, complementou.
O presidente da Frente em Defesa do Pará lembrou, ainda, que o pleito deste ano é inédito. “Essa eleição não tem candidato. Essa eleição não tem só quatro anos. Essa eleição é para o povo e é para sempre. Não é uma eleição de paraense contra não paraense. É de quem ama essa terra para quem não ama”, declarou.
Na avaliação de Sidney Rosa, justamente por ser uma eleição diferente de todas as outras, exige maior dedicação dos paraenses e de quem ama o Estado. “Essa divisão é uma tentativa de aumentar o custeio da máquina pública, que já é uma tragédia. O que está em jogo é o cidadão que irá vota. Nós precisamos mostrar para eles (separatistas) que não precisamos mais de despesa pública, de mais impostos, com três assembléias, três ministérios públicos, três tribunais de justiça, tudo triplicado, vai sobrar o que para investimento?”, questionou.
Adnan Demachki, prefeito de Paragominas, também considera essa eleição muito mais importante que os outros pleitos. “Porque a decisão vai refletir no futuro das próximas gerações, na vida dos nossos filhos, dos nossos netos. Temos uma responsabilidade enorme. Quando a gente faz uma avaliação técnica, percebe que não é bom para nenhum dos três estados, principalmente para quem vai ficar no Estado menor, o Pará. Esse dinheiro que teria que ser gasto com duas novas estruturas burocráticas, pode ser investido em educação, em segurança, em saúde”, observou.
O lançamento da campanha em Paragominas contou com a participação de moradores da região, que demonstraram interesse pelo assunto. Uma das categorias que se fez representada foi a dos professores. Vários docentes estiveram presentes no Parque de Exposições do Município para participar do evento. “Eu acho que o que está faltando é intensificar o debates, para que a gente tenha um resultado democrático. E o melhor resultado é a não divisão. O que o País precisa é de uma reformar tributária, porque a mau divisão dos recursos tributários dificulta que o dinheiro chegue a todos os locais. Temos que lutar sim, mas pela reforma tributária e o combate à corrupção”, declarou Breno Colonnelli, professor de economia da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) de Paragominas.
A presidente da União Municipal da Associação dos Moradores de Paragominas (UMAMP), Daniele Moniely Fidalgo, revelou que em recente visita ao município, os separatistas não conseguiram esclarecer as principais dúvidas acerca da divisão. “Eu fiz uma pergunta para o Giovanni Queiroz e ele não soube responder. Questionou o João Salame, que também não soube o que responder. Se nós vamos ficar com a menor parte do território e a maior parte da população, como vai ficar o nosso Pará?”questionou. “Nós vamos ficar extremamente sacrificados. Porque a nossa receita é produzida por serviço e serviço pode mudar de um território para o outro”, respondeu Zenaldo.
Cicevaldo de Souza Vasconcelos, presidente da cooperativa dos taxistas de Paragominas, também participou do evento. “Dividir o Pará é um grande equívoco e a minha família em Parauapebas pensa a mesma coisa que a gente aqui. É um grande egoísmo deles, pois a maior parte das nossas riquezas está pra lá e eles querem levar tudo”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Frente em Defesa do Pará contra a Criação de Carajás

2 comentários:

  1. Gostaria de saber porque Zenaldo Coutinho não vem no sul e sudeste do Estado lançar a campanha do NAO??

    ResponderExcluir
  2. Voces nunca aprovam os comentários.

    ResponderExcluir