terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CULTOS NA CASA DO TRAFICANTE

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 4.12.11

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

No boletim da PIB de Vila Formosa, de Sampa, vi a notícia, tirada da Internet, que  Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, fazia cultos em sua casa. Ele disse: “Não vou para o inferno. Leio a Bíblia sempre, e faço cultos em minha casa, chamo pastores”.
Não sei o que pregaram em sua casa. Tampouco que textos bíblicos lhe deram para ler. Sobre bênção? Prosperidade? Não sei, mas o evangelho é que não. O evangelho chama ao arrependimento e mudança de vida (Mt 3.2, 4.17 e At 2.38). Mas, para muita gente, se cantou algum corinho, falou alguma coisa sobre Deus, fez alguma oração, se pregou o evangelho. O que pregaram na casa do Nem para ele dizer que vai para o céu porque faz cultos e chama pastores? Desde quando pastor ou culto salvam alguém? O problema é que muita igreja não fala de salvação, nem de céu ou inferno, apenas de prosperidade, saúde e vida feliz. Pregam bênçãos e não Jesus Cristo, o Salvador. Elas são o mel, não o sal de terra. Adoçam a boca do mundo, para atrair clientes.
Quando Steve Jobs morreu, alguns evangélicos se zangaram porque alguém disse que partiu sem Cristo. Veio o coro já gasto: “Não julgueis”, de gente que se esquece que a Bíblia sinaliza bem e que Jesus disse para julgar: “Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo” (Jo 5.24). Jobs era budista. O budismo é uma religião atéia e ele mesmo pediu que não se fizesse nenhuma cerimônia religiosa. Era paparicado pelos internautas, e estes o colocaram num céu que ele não cria nem queria. Mas Nem era o homem do dinheiro e do poder. Talvez fosse paparicado por igrejas e pastores. O dinheiro tem tomado o lugar de Jesus, em muita pregação.
A questão não é Nem ou Jobs, mas o que se prega como sendo o evangelho. Há uma feroz competição por público e isto cria uma preocupação em alguns de fidelizar clientes, dando-lhes o que eles querem. Um dos líderes do movimento de mega-igrejas, indagado da razão de tanta gente em seus cultos, disse: “Nós damos ao povo o que o povo quer”. Mas o evangelho não é dar ao povo o que ele quer, e sim o que Deus quer.
 As pessoas precisam conhecer o amor de Deus mostrado na cruz. Precisam admitir que são pecadoras, estão longe de Deus, que sua vida não o agrada, e devem se arrepender e crer em Jesus. O evangelho não é auto-ajuda, e o Deus Santo não é o bonachão Papai Noel. Não se pode distorcer o evangelho ou amaciá-lo para atrair clientes.
A declaração de Nem é errada. Igrejas e pastores não são culpados por ela. Mas ela mostra que não lhe pregaram o evangelho. Continuou traficante e acha que se salvará porque faz cultos e recebe pastores. Ele não ouviu o evangelho.

2 comentários:

  1. Excelente avaliação caríssimo. Entendo que está faltando santidade e entendimento básico ao invés de uma busca por "profundidade" tão superficial.

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  2. Como os Esraelitas e Judeus,também temos a tendência da autossuficiência, do orgulho, da vaidade.

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