quinta-feira, 8 de março de 2012

Artigo: A ciência econômica e o Economista

Por Carlos Sidnei Coutinho (*)

Nas últimas décadas, com o advento da globalização econômica, a Ciência Econômica passou por mudanças substanciais: ampliou o espectro interdisciplinar, incorporou novos campos de pesquisa e tem enfrentado os desafios colocados pelas mudanças econômicas nas sociedades contemporâneas. Esses desafios são decorrentes do surgimento de novas atividades econômicas, sobretudo, aquelas intensivas em conhecimento. Essa trajetória recente da Ciência Econômica tem exigido do Economista, cada vez mais, uma formação abrangente capacitando-o às oportunidades que lhe são oferecidas por novas atividades econômicas caracterizadas por sofisticado nível de conhecimento profissional em constante mutação.
          Com essas características profissionais específicas, o Economista pode atuar em várias atividades econômicas: no mundo das finanças; nos mercados de capitais; na formulação de estratégias de investimentos e gestão de riscos; nos organismos internacionais; no comércio exterior; no setor público; no mundo corporativo; nas operações de fusões, aquisições e incorporação de empresas; nas Agências Reguladoras; na área de educação; nos órgãos de planejamento; na formulação de políticas sociais e na gestão do conhecimento nas organizações. Esse amplo espectro de conhecimento aplicado depende de uma formação abrangente e em profundidade.

Com o advento da globalização econômica, o Economista passou a ser requisitado em áreas do conhecimento, até então, inéditas para o passado desse profissional. Tanto no âmbito macroeconômico, das políticas dos governos, quanto no âmbito microeconômico, do mundo dos negócios em geral, o Economista é um profissional que tem participação destacada.

A SOCIEDADE DO FUTURO E A REVOLUÇÃO NO CONHECIMENTO
Os desafios a serem enfrentados pela Sociedade do futuro são associados a uma revolução em curso: a revolução no âmbito do conhecimento científico nos diversos campos da Ciência. Fronteiras do conhecimento são ultrapassadas criando novos paradigmas e trajetórias do conhecimento. Novas descobertas científicas, mudanças tecnológicas e inovações estão no centro da análise econômica contemporânea.
            Neste contexto, a Ciência Econômica tem progredido e contribuído decisivamente para mudanças essenciais no perfil da formação do Economista, tornando-o um profissional indispensável à proliferação de novas atividades econômicas que guardam pouca relação com passado recente da profissão. São atividades que têm modificado substancialmente as visões dos Economistas e do mundo dos negócios sobre economia.

Neste caso, a denominada economia dos “ativos intangíveis”, das atividades econômicas intensivas em conhecimento, por exemplo, emergiu, nas últimas décadas, particularmente, como uma espécie de mantra dos novos tempos, que muitos a denominaram de “Nova Economia” e que outros a denominaram de economia da “Revolução Soft”, ou, grosso modo, revolução digital. Essa economia teria tomado a liderança das tradicionais atividades econômicas nas sociedades industrializadas.
O paradigma dessa revolução soft é o que se verificou no Silicon Valley, nos Estados Unidos. Existem dois conceitos que expressam essas mudanças: fala-se de “software” e “hardware”. O primeiro são as fórmulas depois de codificadas e aplicadas; o segundo, os equipamentos, os suportes dos softwares. Todavia, o termo-chave criado para melhor descrever essa revolução é “wetware”. Ele representa o “input” original humano, fruto da inteligência. O processo de conhecimento em geral é a transição do “wetware” para o “software”. A parte mais aprofundada da economia intensiva em conhecimento está neste input original humano, wetware. Esta lógica da economia das atividades intensivas em conhecimento é algo inteiramente novo. É a lógica do que se denomina “ DEEP KNOWLEDGE ECONOMY”.

ECONOMIA E CONHECIMENTO
Nos últimos dois séculos, o “mainstream” da teoria econômica tem reconhecido apenas dois fatores de produção: o trabalho e o capital. No entanto, isso tem mudado. Informação e conhecimento estão substituindo capital e energia como ativos primários na criação de riqueza da mesma forma que capital e energia substituíram terra e trabalho há duzentos anos. Ademais, os desenvolvimentos tecnológicos ao longo do século XX transformaram a maioria das atividades econômicas criadoras de riqueza a partir de bases físicas, tangíveis, em bases intangíveis, intensivas em conhecimento. Conhecimento e tecnologia são agora fatores-chave de diversas atividades econômicas.
Com a crescente mobilidade de informação e a força de trabalho global, conhecimento e expertise podem ser transportados instantanemente ao redor do mundo, e qualquer vantagem obtida por uma companhia pode ser eliminada pela melhoria em competitividade do dia para a noite. A única vantagem competitiva que uma companhia joga é com seu processo de inovação, combinando a incorporação de mercados e know-how com a capacidade criativa, conhecimento, expertise, de seus funcionários para solucionar os problemas de competitividade, e outros problemas, usando essas habilidades para extrair valor da informação aplicando conhecimento.
Estamos na sociedade da informação e em plena era da economia do conhecimento, que reúne um conjunto de atividades econômicas intensivas em conhecimento, onde a gestão do conhecimento, por exemplo, se destaca como essencial. Sendo esta mais uma área do conhecimento objeto de estudos recentes da Ciência Econômica.

A CIÊNCIA ECONÔMICA NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
Os desafios para a Ciência Econômica contemporânea, estão nos impactos decorrentes de novas atividades econômicas intensivas em conhecimento. Nas últimas décadas, com o advento da globalização econômica, a Ciência Econômica passou por mudanças substanciais: ampliou o espectro interdisciplinar, incorporou novos campos de pesquisa e tem enfrentado os desafios colocados pelas mudanças econômicas nas sociedades atuais.
        Por exemplo, o que acontece para nosso entendimento de economia quando um vasto número de pessoas dentro de nossa economia está empregado para criar idéias, resolver problemas, ou prestar serviços, antes que para produzir qualquer bem tangível? Como a Ciência Econômica aborda essa questão? Ela tem sido abordada pela denominada Economia do Conhecimento (DEEP KNOWLEDGE ECONOMY), parte da Ciência Econômica contemporânea voltada ao estudo das atividades econômicas intensivas em conhecimento, à criação de mercadorias intangíveis em diversas atividades econômicas, idéias inovadoras. Segundo esses estudos, o crescimento econômico no futuro dependerá, cada vez mais, do investimento nesse tipo de conhecimento e dos conhecimentos adquiridos pela experiência. É a lógica de transformar wetware em software, conhecimento que pode ser usado e reusado, uma vez codificado e aplicado nas mais diversas atividades econômicas.


O NOVO PERFIL DO ECONOMISTA NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
A trajetória recente da Ciência Econômica exige do Economista, cada vez mais, formação abrangente e intensiva em conhecimento, capacitando-o às oportunidades que lhe são oferecidas por um conjunto de novas atividades econômicas caracterizadas por sofisticado nível de conhecimento profissional em constante mutação.
Os modelos econômicos devem ser repensados para entender as atividades econômicas intensivas em conhecimento, onde os “recursos naturais” de real valor – aqueles que propiciam aos países “vantagem comparativa” – são “intangíveis”, isto é, depende do que as pessoas sabem, do saber das pessoas, em grande parte.
Essas são questões que estão sendo enfrentadas caracterizando uma era de transição para o predomínio de uma economia baseada no conhecimento, que continua a introduzir mudanças econômicas fundamentais, como aquelas que marcaram o processo da Revolução Industrial, há dois séculos.

QUE CONHECIMENTO É ESSE?
Com características profissionais específicas, o Economista pode atuar em várias atividades econômicas intensivas em conhecimento, constitutivas de sua formação básica, destacando-se: o mundo das finanças; os mercados de capitais; na formulação de estratégias de investimentos e gestão de riscos; nos organismos internacionais; no comércio exterior; no setor público; no mundo corporativo; nas operaçãoes de fusões, aquisições e incorporação de empresas; nas Agências Reguladoras; nas áreas de educação; nos órgãos de planejamento; na formulação de políticas sociais e na gestão do conhecimento nas organizações.
Esse conhecimento aplicado a essas várias atividades econômicas, todavia, depende de uma formação abrangente e em profundidade nessas áreas de conhecimento.
Com advento das economias globalizadas, o Economista passou a ser chamado a atuar em áreas do conhecimento inéditas para o passado desse profissional. Tanto no âmbito macroeconômico das políticas dos governos, quanto no âmbito microeconômico do mundo dos negócios corporativos em geral, o Economista tem atuação imprescindível.

OS DESAFIOS PROFISSIONAIS DO FUTURO
Como estamos formando o Economista do futuro, da sociedade do futuro, do Brasil do futuro, consideremos as perspectivas profissionais. Desse ponto de vista, destacamos áreas do conhecimento que são indispensáveis à atuação do Economista: a visão estratégica de negócios, de novas oportunidades de investimentos; capacidade de elaborar diagnósticos das atividades econômicas e propor soluções aos problemas econômicos; formular cenários prospectivos e alternativos para as mais diversas situações e ambientes econômicos; desenvolver a capacidade de planejamento econômico aplicado as mais diferentes atividades e atuar profissionalmente segundo uma concepção sistêmica, abordando o funcionamento do sistema econômico no seu conjunto.
Essas áreas do conhecimento que fazem parte da formação desse profissional estão em consonância com as mudanças objeto da Economia do Conhecimento. O que tem ocorrido no mundo das corporações, no mundo das finanças, nas políticas econômicas dos governos, no mundo do conhecimento, no mundo dos investimentos , das culturas, da informação, da economia globalizada, só ampliam os desafios colocados a esses profissionais no futuro.

O PAPEL DO ECONOMISTA NA CRISE ATUAL
Dotado de ampla formação baseada nessas áreas do conhecimento, a atuação profissional do Economista tem muito a contribuir com soluções práticas para os problemas econômicos contemporâneos. Desde uma participação direta nos mercados financeiros até a elaboração e proposição de políticas econômicas capazes de influir nos rumos das economias. Trata-se de um papel destacado e propositivo no atual contexto de crise.
Considerando a sofisticação e a complexidade dos fenômenos econômicos constitutivos do atual ambiente financeiro em crise, cabe destacar o elevado nível de exigência atingido para a formação desse profissional. Suas intervenções se verificam em ambiente mutante e de grande complexidade. Essa é uma constatação que se verifica com a rapidez das mudanças econômicas em curso e que, de certa forma, anuncia novos tempos, com as economias seguindo trajetórias muito mais relacionadas com o futuro hoje incerto, desconhecido, do que com o passado irreversível.
      As atividades econômicas intensivas em conhecimento, no entanto, abriram novas perspectivas profissionais para os Economistas. A crise financeira atual é prova disso. Os macroeconomistas e os economistas que atuam nos mercados financeiros podem abordá-la segundo duas ópticas: dos diagnósticos e dos cenários financeiros prospectivos. No primeiro caso, são analisadas suas origens, natureza e conseqüências; e, no segundo caso, são sugeridos cenários prospectivos, rováveis, que orientam as decisões a serem tomadas sobre o futuro dos investimentos e as oluções alternativas à crise. Ampliando mais o escopo da atuação profissional do Economista do futuro, o perfil de sua formação, cada vez mais, se caracteriza em compartilhar onhecimento multidisciplinar intrínseco à Ciência Econômica contemporânea. Não se trata e um caso de conhecimento restrito ao campo das Ciências Sociais Aplicadas. A Ciência Econômica do século XXI compartilha uma diversidade de saberes de outros campos do conhecimento científico.

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(*) Economista, Vice-Presidente do CORECON-MG. Membro das comissões de Educação e Análise da Política Econômica do COFECON.

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