quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por esta estrada de ferro as nossas riquezas se vão...



Foto tirada na frente de um dos mais de cem vagões que diariamente levam o minério de ferro da Serra dos Carajás no Sudeste do estado do Pará para ser exportado via Porto de Itaquí no Maranhão. Na ida o trem da Vale leva milhões de toneladas do nosso minério para ser beneficiado noutros países. Na volta traz diariamente mais de 300 pessoas que desembarcam em Marabá ou Parauapebas vindas de outros estados em busca de novas oportunidades no entorno dos grandes projetos minerais. De acordo com o IBGE até 2014 cerca de 400 mil pessoas virão para o estado do Pará em busca de novas oportunidades. Estes migrantes sobrecarregarão os serviços públicos já precários na área de saúde, educação, segurança, saneamento, transporte público, dentre outros, e contribuirão para a piora dos nossos já lastimáveis indicadores sociais, para a favelização crescente de nossas cidades, para o aumento da informalidade e da violência. São migrantes que chegam ao Pará em extrema situação de vulnerabilidade social e com isto passam a requerer ações mais incisivas do poder público. Ao lado disto o estado do Pará não recebe as devidas compensações financeiras e sociais de tais empreendimentos. Cada vez mais os orçamentos públicos do estado e dos municípios são estrangulados. As demandas sociais são crescentes e a capacidade de resposta dos poderes estadual e municipal diminuta. Precisamos de um novo pacto social no estado do Pará e de um novo Pacto Federativo, que passe por um redesenho de nosso federalismo fiscal. O estado do Pará não pode continuar sendo um simples almoxarifado do desenvolvimento alheio! Hoje o Pará é um estado que dá vazão para a mitigação, via processo migratório, de pressões sociais de outros estados do Brasil. A história se repete!

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