segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A PALAVRA QUE DESARMA


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Fazíamos o culto doméstico no dia 30 de janeiro. Usamos o livrete “Presente diário”, e a meditação era sobre Ana. Sempre lemos o texto designado, os textos auxiliares, e a meditação, antes de orarmos. Depois que li a oração de Ana (1Sm 1.9-18), Meacir disse que sempre se sentiu atraída pela resposta de Ana a Eli, quando este a julgou embriagada e a repreendeu. Ao invés de reagir com dureza (“Tá pensando o quê?” ou “Me respeita!”), ela, com humildade, falou a Eli sobre sua aflição. Eli ficou tão desarmado que a abençoou. E Ana ainda saiu agradecendo.
Não é sem razão que ela deu ao mundo um filho como Samuel. Mesmo vendo-o anualmente, apenas, ela o marcou. O perfil de Ana é encantador. Que modelo de caráter e de atitudes! Hoje há poucos crentes como Ana e muitos como Nabal, o grosseiro marido de Abigail, que morreu de ataque cardíaco (1Sm 25.36-37), depois de uma crise de grosseria e de, coloquialmente, “encher a cara”. Gente como Nabal, quando não mata com suas palavras, morre por elas.
Há muito bateu-levou em nosso meio. Como pastor, por vezes, tenho que conversar com pessoas e corrigi-las. Algumas agem como Ana. Uma parte fica como Nabal. Furiosa. Infelizmente, há mais crentes como Nabal que como Ana. Ela agiu com uma brandura (tinha razões para estrilar com Eli) que desarmou o sacerdote. Não é preciso ser rude quando se está certo. O pior são os que agem erradamente (alguns até anunciam isso) e se zangam se corrigidos: “Ninguém tem nada com a minha vida!”. Então não alardeie seu mau testemunho nem o poste no Face. Jesus foi duro com os que causam escândalos: “Ai do homem pelo qual vem o escândalo” (Mt 18.7).
Vivemos numa época em que as pessoas fogem de correção. Querem promessas. Afago no ego. Abisma-me ver o esforço de tantos por aplausos e sua busca de espaço nas comunidades cristãs. Querem ser admirados. Em uma igreja, uma solista se zangou porque o atual pastor não elogiava sua maviosa voz como o pastor anterior fazia, quando ela cantava.
O texto que lemos tratava da confiança em Deus, sem amargura. Mas vi outro ângulo: a classe de Ana em sua resposta. Uma mulher espiritual. Educada. Fina. Sabia como responder.
Passei o dia pensando na observação que Meacir fez. Sei que não foi indireta dela. Ela é tão Ana que nunca seria indelicada mesmo que obliquamente. Mas pedi a Deus que me torne uma pessoa como Ana, e não como Nabal.
Um cristão deve pedir sempre a Deus que dome seu temperamento e suas palavras. O mundo em geral e a igreja em particular precisam mais de pessoas com o jeito de Ana que de pessoas como Nabal e os filhos de Zebedeu que queriam fogo do céu para destruir os oponentes.

Que nossa palavra desarme e não aumente o fogo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário