quarta-feira, 10 de julho de 2013

Posso incluir o serviço, senhor?

    A inflação da Região Metropolitana de Belém (RMB) deu mais um passinho pra trás, segundo os dados divulgados ontem pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, o respeitado Idesp. De acordo com a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que acompanha as famílias com rendimento entre um e oito salários mínimos, a taxa inflacionária na Grande Belém recuou 0,50%, ou seja, 0,45 pontos percentuais a menos do que em maio, quando o arrefecimento foi de 0,95%. Agora pasmem: o item Alimentação e Bebidas foi o responsável pela única taxa negativa, já que registrou queda de 0,81%. Vale lembrar que, até então, o grupo que engloba a mesa do consumidor era o maior vilão da nossa famigerada inflação.
    Com este resultado, os ventos parecem estar mudando a direção, certo? Errado! A direção do vento poderia até mudar se os empresários do setor supermercadista assumissem os gastos dos benefícios que prometeram aos seus funcionários, após a greve da semana passada. O caso é que, com o ingresso do tíquete alimentação, no valor de R$ 182, aos mais de 40 mil funcionários do comércio varejista da RMB, alguém vai ter que desembolsar, no mínimo, R$ 7,2 milhões, por mês, para bancar esta conta. Isso sem falar na contratação de novos empregados, já que um dos termos acordados entre os patrões e a categoria, na semana passada, foi à criação de uma jornada de trabalho de sete horas corridas. Sim, amigos, as lojas continuarão abrindo e fechando suas portas nos mesmos horários. E cada novo funcionário já virá contemplado com o tíquete alimentação.
    Agora, a pergunta do milhão é: advinha quem vai pagar esta conta? Não responda antes de saber o que os empresários supermercadistas do varejo e do atacado andam dizendo sobre o assunto. Um deles admitiu publicamente a um jornal de grande circulação de Belém que este custo vai parar na ponta, na gôndola, ou seja, no consumidor. Então, a partir de agora, não se espante se a moça do check-out, o popular caixa, lhe cobrar 10%, assim como fazem os garçons e as atendentes de barzinhos. A sua contribuição, cidadão, além de combater a inflação, vai virar tíquete alimentação. É mole?


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