sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

COFECON: Debate sobre conjuntura econômica


Participei hoje pela manhã do debate sobre conjuntura econômica “Perspectiva Econômica do País para 2014”, tendo como expositor o prof. Dr. Antônio Correa de Lacerda. O debate ocorreu na abertura da 655ª Sessão Plenária Ordinária do Conselho Federal de Economia (COFECON). Do exposto, pelo palestrante, e discutido na plenária, destaco:
1.    A mídia é constantemente bombardeada com aquilo que é melhor para os rentistas e não para o país, por meio de análises que pecam pela não imparcialidade. Em geral são operadores do mercado financeiro que têm acesso privilegiado a mídia, que não possui os filtros necessários para processarem o que está sendo comunicado;
2.    O debate está muito concentrado na esfera financeira. Muito pouco se discute sobre a economia real, ou questões estratégicas de médio e longo prazo;
3.    A taxa de inflação do Brasil está, nos últimos anos, próxima da média dos países emergentes;
4.    O cenário econômico mundial é de baixo crescimento, taxas de juros baixas e inflação persistente. Neste cenário as “guerras” cambiais e comerciais permanecem como estratégia de muitos países;
5.    A expansão do consumo não se rebate necessariamente no aumento do PIB. Este último é impactado pelo aumento do volume de valor agregado na economia. Isto posto, a capacidade de manipular os níveis de consumo no país para estimular o crescimento da economia é limitado no contexto econômico atual;
6.    O Brasil se tornou uma economia do consumo, contudo, suprida em grande parte, pelas importações. Assim, há um vazamento de renda e a geração de empregos industriais noutros países em detrimento da economia nacional. Este debate está diretamente ligado com a discussão da desindustrialização;
7.    Parte da questão da desindustrialização no Brasil é explicada pela perda de competitividade da indústria nacional frente à indústria mundial. O esgotamento da economia brasileira é explicado por três fatores: o aumento do endividamento das famílias (fato que limita o consumo), a carência de investimentos privados e o desequilíbrio nas transações correntes;
8.    Em 2014 o cenário econômico aponta para um conjunto de fatores adversos: desvalorização do real, aumento dos custos industriais, pressão inflacionária e perspectiva de baixo crescimento econômico;
9.    Há inevitavelmente um erro de adaptação das estratégias econômicas ante ao cenário externo posto. Há um erro de dosagem e de time na condução da política macroeconômica;
10. Recentemente houve uma tendência de diminuição da taxa de juros real. Neste contexto, o setor produtivo, paradoxalmente, apresentou-se, em grande parte, como cético em relação a tendência de queda da taxa de juros. Isto, em parte, é explicado pela cultura do “rentismo” e da arbitragem que se implantou no país;
11. Nada atualmente justifica o atual patamar da taxa de juros básica da economia. Esta alta taxa de juros impõem um custo elevado para as finanças públicas na medida em que, apesar do superávit primário, há um déficit nominal recorrente. Portanto, há um esforço social para pagamento de juros e amortizações da dívida pública no país.

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