sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Dos filhos ao pai: uma homenagem ao Armando Dias Mendes


Ontem indo para Brasília, durante o voo, pude ler com maior cuidado o artigo escrito pelos filhos do prof. Armando Dias Mendes – Armando Nobre Mendes, Antonio Daniel Mendes, Alberto Mendes, Artur Mendes, Graça Mendes e André Mendes ­– para o livro que estou organizando pela Associação Comercial do Estado do Pará (ACP), numa iniciativa do atual presidente, Sérgio Bitar, sobre a vida e obra deste que foi um dos maiores intérpretes da Amazônia. O livro que já está batizado de “Armando Dias Mendes: Vida e obra de um intérprete da Amazônia”, deverá será lançado no mês de fevereiro de 2014 e contará com diversos ensaios de renomados pesquisadores regionais da Amazônia sobre a biografia e obra de Armando Mendes, além de quarto artigos in memoriam do autor.
Confessor que fiquei surpreso com a qualidade dos ensaios, fazendo com que missão posta para este livro fosse plenamente cumprida. Os artigos, em conjunto, fazem um apanhado preciso da contribuição de Armando Dias Mendes para o pensamento crítico a respeito do desenvolvimento da Amazônia, conforme sumário elencado ao final.
Contudo, o que mais me surpreendeu, dando a obra um “brilho” especial, foi sem dúvida a biografia escrita pelos filhos, “Dos filhos ao pai”. Por meio dela é possível desvelar a intimidade do prof. Armando com os familiares, o que somente reiterou o seu legado. Muito clara fica a relação paternal e o legado de probidade deixado, com alguns exemplos marcantes citados. Destaca ainda a sua persistência intelectual, eclética, e a sua ficção pelo vernáculo, muito clara em seus escritos.
Questões pessoais também ressoam e trazem um “q” de curiosidade a biografia. A adaptação de Armando aos novos tempos, via pressão “organizada” dos filhos, que contam causos desde a “revolta dos cabelos”, a ida ao cinema, as peladas no “Maracanamendes”, o hábito de ler andando pelo corredor, a biblioteca que brotava do nada, a dificuldade de acesso a informação na época passada, a recusa em receber presentes quando funcionário público... São relatos que ajudam a compreender melhor a obra do prof. Armando Dias Mendes. Destaco ainda o esclarecimento sobre a origem da visão “insistencialista”, ligado diretamente a perda do filho “Aluísio”. Confesso que o prof. Armando já havia feito menção a isto numa conversa, mas não com tanta riqueza de detalhes.  
Abrindo uma digressão, agradeço à família a menção justa no processo de criação do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), a participação do meu pai, José Marcelino Monteiro da Costa. Não tem como fazer menção à criação do NAEA sem fazer referencia a dupla Armando e Marcelino. Tive o privilégio de conviver com os dois, e pude ver o respeito e a admiração mútua. Vi em ambos a perspectiva de que a mudança da trajetória de desenvolvimento da Amazônia passa obrigatoriamente pela criação de uma consciência coletiva firmada num processo de formação educacional da qual a universidade é peça chave. Mas não basta. É necessário que este processo extrapole o meio acadêmico e tenha condições da intervir no mundo concreto, saindo das análises abstratas.
Fechando a digressão, agradeço a família pela enorme contribuição para o esforço de eternizar o legado intelectual de Armando Dias Mendes. Com licença da família, ouso dizer que um pouco dele seguirá em cada um daqueles que sonham com uma trajetória diferente de desenvolvimento para a região.
 Segue o sumário da obra “Armando Dias Mendes: Vida e obra de um intérprete da Amazônia” que será lançada ano que vem por uma iniciativa da ACP.

 
 PARTE I – ARMANDO DIAS MENDES: VIDA E OBRA DE UM INTÉRPRETE DA AMAZÕNIA

 1.         Dos filhos ao pai – Armando Mendes Jr., Antonio Daniel Mendes, Alberto Mendes, Artur Mendes, Graça Mendes e André Mendes
2.         A trajetória de um “desenvolvimentista” na Amazônia: um breve relato sobre a vida e obra de Armando Dias Mendes – Danilo Araújo Fernandes
3.         Armando Mendes e a invenção da Amazônia: uma reflexão crítica – David Ferreira Carvalho e André Cutrim Carvalho
4.         Armando Dias Mendes: o colóquio “impossível” e o legado de um intérprete da Amazônia – Eduardo José Monteiro da Costa
5.         A contribuição de Armando Mendes para a construção de uma universidade cidadã na Amazônia – Fábio Carlos da Silva
6.         Armando Dias Mendes e a profissão de Economista – Luiz Alberto Machado
7.         A Belém de Armando Mendes: história e representação - Geraldo Mártires Coelho

PARTE II – ARTIGOS IN MEMORIAN

8.         Economistas, Amazônia e Século XXI – Armando Dias Mendes (in memorian)
9.         Palestra de abertura do V ENAM, A Amazônia, os Economistas e o Século XXI: Achegas à resiliente Doutrina 21 das sustentabilidades - Armando Dias Mendes (in memorian)
10.      Discurso de agradecimento do Prêmio Samuel Benchimol – Armando Dias Mendes (in memorian)
11.      Amazônia: Cidadania ou Capitulação: uma involuntária alegoria amazônica produzida em parceria por poetas, prosadores e políticos não amazônicos – Armando Dias Mendes (in memorian).

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