quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

NAEA: 40 anos


Escrito por Lúcio Flávio Pinto

O Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará completou 40 anos. A comemoração parece ter sido apenas interna. Não repercutiu junto à opinião pública, como seria de se esperar. A data podia servir de motivação para uma análise da história do NAEA e da posição que assumiu hoje e pode representar amanhã. 
Para isso, a instituição devia se abrir para a crítica e autocrítica, o que não aconteceu. Parece indicar uma tendência à acomodação e uma visão voltada para sua função no mundo acadêmico, por trás dos muros da universidade, que prevalece sobre o desejo de vários dos seus integrantes de abertura ao complexo mundo amazônico, que tanto precisa do toque dos intelectuais.
Quando o NAEA surgiu, provoquei seus criadores apontando o que podia ser excesso de pretensão de um instituto batizado como sendo de altos estudos. A inspiração parecia ser humanista, sob as bênçãos europeias (especialmente francesa), mas a linha dominante na abordagem era econométrica.
Seus principais integrantes queriam quantificar a realidade para conferir um valor cientifico à pesquisa, em contraste com o impressionismo e empirismo característico dos estudos realizados até então, sobretudo fora dos muros acadêmicos. O problema era que, sob a forma do rigor no tratamento dos dados, a veracidade da informação podia ser comprometida.
A técnica de reconstrução de dados históricos pode oferecer esse risco se a fonte primária não for adequada para esse tipo de extrapolação. Essa questão está posta naHistórica Econômica da Amazônia, de Roberto Santos, o mais importante livro com essa abordagem já publicado. Roberto explorou essas possibilidades da quantificação nolimite do seu potencial e da sua impotência, avançando nos dois sentidos com coragem e determinação intelectual. 
Travei polêmica com o principal personagem nas origens do NAEA, Armando Mendes, e com seus colegas do curso de economia da UFPA que participaram da empreitada. E atuei também no momento em que o bastão de mando do instituto passou das mãos da economia para a sociologia, com a vitória de Heraldo Maués sobre Nelito Pinto da Silva. O último debate antes da eleição, travado no auditório do Idesp (despejado da sua sede e do seu patrimônio pelo iracundo governador Almir Gabriel), foi memorável para que essa mudança acontecesse. O NAEA estava no mundo. Onde é que está agora?

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