domingo, 29 de maio de 2016

A necessidade de reforma de nossa cultura política



Enquanto o Brasil não realizar efetivamente uma verdadeira reforma política o exercício da governabilidade será sempre um desafio muito difícil para qualquer presidente eleito democraticamente.
A cultura que se solidificou no país foi a do fisiologismo descarado, tendo a sociedade não como vítima, mas como cúmplice na medida em que elege e reelege políticos que pautam o seu exercício parlamentar com base nesta prática, em que acompanha passivamente o exercício explícito de negociatas em troca de votos, e em que espera em algum momento a retribuição do voto não com base num exercício ético e efetivo da atividade parlamentar, mas na concessão de algum favor, alguma vantagem ou algum cargo.
Nesse jogo, o parlamento brasileiro ao invés de se pautar no enfrentamento dos desafios da Nação, se pauta no oportunismo momentâneo da cultura fisiologista. Os votos nas casas legislativas não são dados com base em convicções políticas, argumentos técnicos e/ou ideológicos, mas na troca de favores e na concessão de espaços, leia-se cargos.
Obviamente isso tem limite. Assim, quando o Poder Executivo esgota a sua capacidade de concessão, perde a governabilidade e, como consequência, a crise política se instala. Portanto, ao lado da reforma política, e talvez até muito mais importantes, se faz necessária uma reforma ética e moral de nosso parlamento, mas, sobretudo, de nossa cultura política.

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