segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

2017 ainda será um ano de incerteza na economia brasileira

Apesar das medidas anunciadas pelo Governo Federal para aquecer a economia, a previsão é de que o ano de 2017 ainda seja muito difícil para os brasileiros. Somente no Pará, a expectativa é que sejam fechados 15,6 mil postos de trabalho este ano, conforme dados preliminares da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

Os números completos e fechados serão apresentados no dia 25 de janeiro, no "Seminário Projeções e Perspectivas para a Economia Brasileira e Paraense em 2017", que será realizado a partir das 8h30, na Federação das Industrias do Pará (Fiepa), com transmissão ao vivo pela Escola Superior da Magistratura do Estado do Pará. O evento contará com a presença do presidente do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya, e representantes do Governo do Estado, que irão fazer análise sobre alguns programas do Executivo Estadual, como o Pará 2030.

Desde já, destaco que para fazer qualquer projeção sobre a economia paraense em 2017, é preciso ter clareza do cenário mundial e nacional. O mundo deve ter um crescimento do PIB de cerca de 3%. No caso da União Europeia, o crescimento esperado é de 3,3%, mas há incerteza por causa da saída do Reino Unido. O que mais terá impacto no Pará, no entanto, é a situação das economias chinesa e americana, uma vez que esses dois países são os maiores parceiros comerciais do Estado. Análises mostram que o PIB da China deve crescer cerca de 6%.

No que diz respeito ao cenário nacional, a expectativa é que o Brasil só consiga crescimento no PIB a partir do segundo semestre de 2017. Tudo depende das medidas macroeconômicas adotadas pelo Governo Federal, entre elas a PEC dos gastos públicos, a reforma da previdência e a reforma tributária. As estimativas de crescimento para 2017 variam de 0,3% para 0,5%.

Eu acredito que para o Brasil voltar a ter um crescimento sustentável, precisamos de estabilidade institucional, que envolve Governo Federal e Congresso. Só vamos ter essa estabilidade após a eleição de 2018. Inevitavelmente, estamos diante de uma década perdida. O Brasil só deve voltar a crescer em 2019.

Esta minha análise sobre atual contexto econômico do país foi publicada com mais alguns detalhes no Caderno Poder do Jornal O Liberal de ontem, 8 de janeiro. O texto também foi publicado no portal ORM news:  www.ormnews.com.br/noticia/ano-ainda-sera-de-incerteza-na-economia-segundo-fapespa.


Outro assunto em destaque no mesmo caderno desta matéria foi a balança comercial do Pará, que mostra estabilidade. Os números de 2016 do Estado estão sendo fechados, assim como as projeções para 2017. A expectativa é que a balança comercial paraense permaneça estável, com resultado parecido ao do ano passado. No último levantamento, de novembro, a balança comercial registrava US$ 8,3 bilhões, mas deve ultrapassar os US$ 9 bilhões quando fechar os dados de dezembro. Para 2017, a previsão inicial é movimentar US$ 9,8 bilhões. As exportações, por exemplo, até novembro, já estavam em US$ 9,3 bilhões e para esse ano a previsão é de US$ 10,9 bilhões. Enquanto isso, as importações devem ficar em US$ 1,1 bilhão esse ano - até novembro do ano passado elas acumulavam US$ 1 bilhão.

A indústria extrativa, que até outubro teve um crescimento de 13,3%, em 2017 deve crescer menos: 10,6%, conforme projeção preliminar da Fapespa. Já a indústria de transformação deve continuar em queda. A expectativa é que ela encerre o ano com produção 2,2% menor - até outubro do ano passado, ela já registrava -7%. As vendas no varejo paraense, que sofreram queda de 13,3% até outubro, devem fechar o ano com um aumento de 2,2% em 2017, enquanto a receita desse setor crescerá 8,6%.

O setor de serviços deve continuar em queda. A previsão para esse ano é que o número negativo seja de 1,7%. Até outubro do ano passado, a queda nesse setor já estava em 4,8%.

Confirmando a previsão inicial da Fapespa, para 2016, de que o Pará teria um saldo negativo de 30 mil empregos ano passado, até novembro, esse saldo já estava em -28.463 postos de trabalho. Para 2017, a previsão da Federação é que o saldo seja de -15.600.

Comércio
Cenário ainda é preocupante

O Boletim Comércio Varejista e de Serviços, do terceiro trimestre de 2016, já mostrava um cenário preocupante. Nesse período o setor varejista paraense apresentou recuo de 15,2% em relação ao mesmo período do ano anterior - foi a segunda baixa mais acentuada de todo o País, atrás apenas do Amapá (-18,1%). O endividamento das famílias caiu de 75,7% de janeiro para 49,9% em setembro, resultando em uma média de 67,43%. Por outro lado, a inadimplência aumentou: o percentual de famílias com dívidas em atraso cresceu 14,2%. Em relação ao mercado de trabalho no setor varejista paraense, no terceiro trimestre, o saldo de vínculos formais foi negativo em 1.271.


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