Amazônia, Economia, Ideias Sociais e Política
R$ 30 MILHÕES PARA UM PALCO?
Mariah Carey no Rio Guamá. Mas… e os nossos problemas reais?
A notícia de que a mineradora Vale gastou 30 milhões de reais na construção de um palco temporário para um show internacional no Rio Guamá, em Belém na última quarta-feira (19/09), levanta uma pergunta urgente: É esse o tipo de “compensação social” que nossa região realmente precisa?
A Amazônia possui inúmeros problemas historicamente negligenciados: saneamento, saúde pública, segurança, educação, mobilidade urbana… Diante disso, é legítimo questionar: quem se beneficia de um show milionário? E mais: qual é o legado concreto que ele deixa para a população local?
Com os mesmos 30 milhões de reais, poderiam ser construídas dezenas de unidades de saúde, escolas, espaços comunitários, redes de abastecimento de água, projetos de formação profissional ou habitação popular. Poderiam ainda ser financiadas pesquisas e inovações sociais, como as que são feitas em instituições como a UFPA, com potencial para transformar estruturalmente a vida das pessoas.
A Vale lucra bilhões com a exploração de recursos naturais da nossa região. Sua responsabilidade social deveria ser proporcional ao impacto de sua presença — e isso significa mitigar desigualdades históricas, e não simplesmente produzir grandes eventos para ganhar manchetes ou “melhorar a imagem”.
Não se trata de ser contra a cultura ou grandes shows. Trata-se de prioridade. E, nesse momento, os amazônidas precisam não é de um palco, mas de dignidade.
Precisamos discutir com seriedade: O que é uma compensação social legítima? Por que seguimos romantizando gestos de “filantropia empresarial” que não resolvem os problemas de base? Quem está decidindo como o dinheiro deve ser investido — e com qual participação da comunidade?
O espetáculo dura algumas horas. A desigualdade, infelizmente, dura gerações.
