Na tarde de uma terça-feira qualquer (30/09/25), sem grandes manchetes nem alardes, a Comissão Mista de Orçamento aprovou um gesto simbólico — e caro. O Fundo Eleitoral, que já era bilionário, saltará para R$ 4,9 bilhões em 2026. É quase cinco bilhões de reais, dinheiro público reservado para abastecer campanhas eleitorais em todo o país.
Chama-se “Fundo Especial de Financiamento de Campanha”, mas poderia muito bem se chamar Fatura da Democracia. A cada eleição, ela chega à mesa do contribuinte, que paga sem ser consultado. A justificativa é nobre: reduzir a influência de empresas privadas, evitar o caixa dois. Mas o efeito prático é outro: transfere-se a conta para quem não tem escolha, enquanto se reforça a distância entre eleitos e eleitores.
Em tempos de filas no SUS, escolas com teto caindo e estradas esburacadas, a decisão soa como ironia. Para hospitais, sempre falta. Para merenda escolar, nunca há verba suficiente. Para campanhas políticas, sobra.
Douglass North lembrava que instituições revelam quem realmente manda em uma sociedade. O Fundão de 2026 mostra isso com clareza: o Estado brasileiro continua sendo moldado mais para proteger a elite política do que para atender às necessidades da população.
E assim seguimos. Democracia, no papel, é governo do povo. No Brasil real, é o povo bancando a conta — bilionária — de quem governa.
