SEARCH
Compartilhe

O Brasil é hoje o único país que se recusa a negociar de forma consistente com os Estados Unidos diante do tarifaço de Trump. Outras nações, como União Europeia, Reino Unido, México, China, Índia, Japão, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Malásia, construíram acordos mediante avanços diplomáticos.

Aqui se revela um perigoso paradoxo político. Enquanto governos ao redor do mundo mitigaram perdas por meio do diálogo diplomático, o Brasil, em contraste, optou deliberadamente por um enredo ideológico de confronto, apostando em uma polarização internacional que evoca traços de radicalização do tipo bolivariano-chavista: o “nós contra eles”. Uma estratégia de sobrevivência política diante de baixa entrega de resultados e da crescente percepção negativa da sociedade em relação ao governo.


Estamos testemunhando a inauguração de uma nova fase da diplomacia brasileira, marcada pela ruptura com antigos parceiros políticos e econômicos. Uma diplomacia performática-ideológica que, ao não demonstrar boa-fé na mesa de negociação, conduz o país a um isolamento estratégico prejudicial. É necessário mudar a lógica, negociar não é capitular — é proteger com dignidade os interesses nacionais.


Reduzida a um teatro retórico, essa diplomacia fragiliza o Brasil internamente e compromete nossa capacidade de resposta aos desafios externos. Enquanto outros países praticam uma diplomacia focada em resultados concretos, o Brasil insiste em um discurso beligerante que é perigosamente inconsequente. Nessa lógica de confrontação externa como mecanismo de sustentação política interna, sacrifica-se a segurança econômica da nação.


É hora de romper com essa narrativa. Negociar precisa ser reconhecido como um ato estratégico de defesa nacional — e não como sinal de fraqueza ou derrota moral. Afinal, o maior risco reside em permanecer preso ao embate retórico enquanto os setores produtivos do país definham diante de um mundo que continua a dialogar ante ao novo paradigma geopolítico global.

0